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Lost Ember e a beleza de uma natureza ancestral

por Marina M.
Publicado em Atualizado em 9 minuto(s) de leitura
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Na análise de hoje, vamos explorar um mundo misterioso, cercado pela natureza e por ruínas de uma antiga civilização. Lançado em 22 de novembro de 2019 pelo estúdio alemão Mooneye Studios, Lost Ember está disponível para PC, Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One. Há tradução integral para português brasileiro, com exceção da dublagem.

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Sendo direta, Walking Simulator não é um gênero para todos. Sem o combate, cenários de vida ou morte ou uma jogabilidade desafiadora, o foco fica para a exploração do cenário ficcional. Sem dúvidas, o maior desafio do gênero é manter o jogador interessado, para que a experiência não se torne apenas uma caminhada entediante. Lost Ember é um título promissor, mas que comete alguns erros de design.

Narrativa

Você começa assumindo o controle de uma loba, que mais tarde supomos se chamar Kalani. Após seguir uma esfera de luz – a brasa perdida que nomeia o jogo – é apresentado o propósito da aventura: desvendar o misterioso passado da protagonista e ajudar a esfera de luz a encontrar o caminho para a Cidade das Luzes, paraíso religioso até então negado para ambos. Assim, é necessário percorrer o cenário, assumindo o controle de diferentes animais em busca de fragmentos de memória, que ao serem tocados desvelam uma cena do passado.

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É uma história interessante; entretanto, aqui começam alguns problemas que tive com o jogo. O primeiro se resume à dublagem, que tem um sotaque fortemente britânico. É uma escolha estranha por parte dos desenvolvedores para retratar uma sociedade antiga e, pelos indícios apontados, africana. Outra questão é com a bola de luz, nossa companheira de viagem.

Diversos jogos singleplayer se utilizam de parceiros de aventura, normalmente com a função de fazer comentários interessantes, complementar a história do mundo ou desenvolver uma relação entre personagens. Aqui, me surpreendeu o quanto a bola de luz, na maior parte do tempo, faz comentários óbvios e monótonos. “É você ali?”, pergunta ele umas 10 vezes depois que todas as memórias se referiam a Kalani. “Quem mais seria??”, era o que eu queria saber.

Sem culpar apenas nossa brasa perdida, outro fator incômodo é que a protagonista só tem voz em suas lembranças no começo e no fim do jogo. O resto do tempo, assistimos às encenações de seu passado como fotos de algo frio e distante, e é muito difícil se identificar com alguém quando só vemos imagens dessa pessoa andando e gesticulando, sem entendermos melhor sua personalidade.

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Eu gostaria muito que Kalani tivesse mais voz; isso a teria tornado mais humana. Eu realmente quis me envolver com a história, mas considero que ela foi contada de uma forma genérica, sem a preocupação de caracterizar melhor seus protagonistas. O título não decide se quer uma lenda distante ou uma narrativa próxima do jogador, e a maior parte do tempo não consegui me conectar com as personagens.

Existem vários grandes acontecimentos que movimentam a trama, e por isso continua interessante prosseguir pelo fio da meada. Todavia, contar uma história é uma arte que precisa envolver o ouvinte; tanto entre a bola de luz e a loba quanto entre as sombras do passado, não houve desenvolvimento consistente para validar seus relacionamentos.

Exploração

Enquanto discordo de parte da linha narrativa escolhida pelo jogo, sem dúvidas os cenários contribuem enormemente para manter o jogador e criar uma atmosfera de beleza e mistério ancestral. Monumentos destruídos são completados para vislumbrarmos o passado, e há um sentimento de reverência e costumes antigos espalhado por todos os lugares. As paisagens costumam ser enormes e acessíveis, o que cria um senso de beleza e vastidão incríveis para incentivar a exploração.

Algo que ajuda nesse aspecto é a presença de colecionáveis, objetos antigos com descrições próprias e cogumelos escondidos pelos terrenos. Os desenvolvedores tiveram o cuidado de inserir caminhos alternativos para os curiosos, e compensá-los com itens a serem investigados que complementam o universo do título. É satisfatório descobrir rotas alternativas e até mesmo animais lendários: só existem seis do tipo, e encontrá-los é divertido.

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mano é uma preguiça lendária!!!!! minha vida fez mais sentido após esse momento

Outro elemento-chave que funciona muito bem é a possibilidade de assumir o controle de qualquer animal, numa espécie de possessão mística. Isso faz com que alguns lugares sejam acessíveis apenas com pássaros e peixes, por exemplo, e adiciona uma camada de profundidade ao título. As variações dos biomas, seja nas plantas, tipo de solo ou em construções gigantescas faz com que seja mais divertido vagar à procura dos colecionáveis e avançar em direção às lembranças.

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Há trechos em específico no qual você se vê a mercê do cenário, como quando uma tempestade de areia avança, e são momentos essenciais para aprofundar a jogabilidade; alguns desses foram meus favoritos no jogo. Se a história poderia ser mais envolvente, por outro lado a presença ostensiva da natureza e sua relação com o jogador proporcionam uma experiência marcante. O uso de fones de ouvido é uma ótima opção para mergulhar ainda mais fundo na aventura de Lost Ember, amplificando o poder de uma trilha sonora precisa e os calmos sons da natureza.

Ao mesmo tempo, preciso mencionar que alguns controles são um pouco desajeitados; se você é um pássaro e não pousar exatamente em cima do destino pretendido, escorrega pela parede sem chance de tomar um pequeno impulso para cima. Existem algumas paredes invisíveis no ar, e alguns barrancos terão paredes invisíveis para evitar que você caia; outros não. Outra escolha que acho estranha é a visão borrada embaixo da água, que em alguns momentos causa certa irritação; seria preferível enxergar perfeitamente.

Além disso, entrar em lugares estreitos normalmente quebra a câmera; ou aparece o outro lado, que está fora do mapa, ou o modelo do animal desaparece para reaparecer pouco tempo depois. Por alguma razão o modelo da loba não é maciço, e toda vez que você chega perto de uma parede, a loba entra no cenário.

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imagem ilustrativa do comentário acima

Uma vez caí do mapa; outra fiquei presa num terreno e precisei reiniciar do último ponto salvo. Alguns são bugs fáceis de corrigir e realmente espero que sejam consertados em breve; entretanto, a câmera apresenta problemas em vários pontos, como se as paredes fossem unidimensionais, exibindo a parte “invisível” do cenário. São ocorrências que prejudicam a imersão no jogo, mas que acredito que podem ser corrigidas com alguns patches.

No geral: vale o investimento?

Minha maior frustração com Lost Ember é a falta de polimento. Sinto que algumas decisões de design não foram as melhores, e acabam por roubar um pouco da magia de um título que promete muito. Os bugs que ficaram depois do lançamento são um pouco duvidosos, mas devido ao tamanho do mapa, é razoável que aconteçam.

Analisando o conjunto da obra, preciso deixar claro que Lost Ember é uma aventura que vale a pena. No sentido da exploração, o mundo construído é enorme, e a diversidade de personagens controláveis faz com que explorá-lo seja uma experiência única. Passear pela neve, cânions, vales, desertos e templos são algumas das possibilidades à disposição, sendo possível vagar em um belíssimo mundo cheio de rotas secretas e colecionáveis interessantes.

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Quanto a história, por mais que eu ache que poderia ter sido melhor contada, ainda assim é interessante o suficiente para conduzir a trajetória. Apesar da ausência de puzzles, a grandiosidade do cenário e o revezamento entre diversas espécies torna a aventura visualmente encantadora, e envolvente a seu próprio modo.

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