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Análise de Blasphemous 2: um metroidvania sombrio e atmosférico

por Fábio Cipriano
Publicado em Atualizado em 12 minuto(s) de leitura
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Anos após o sucesso do primeiro título, Blasphemous 2 chega para ocupar o trono de metroidvania mais visceral, com sua arte característica e seu universo distorcido. O jogo possui melhorias gigantescas comparadas ao seu antecessor, acertando onde primeiramente errou e elevando a experiência com bastante eficácia. Vamos falar sobre mais essa jornada perturbante e punitiva do Penitente Silencioso.

Se você ainda não teve contato com Blasphemous, confira aqui a nossa análise do primeiro jogo e fique por dentro do que o universo do jogo tem a oferecer.

Blasphemous 2

Blasphemous 2, um metroidvania visceral e cheio de mistérios

Blasphemous tem como característica principal seu universo obscuro e perturbador. Assim como no primeiro jogo, em Blasphemous 2, o evento misterioso chamado de “O Milagre” assola os habitantes de todos os cantos de formas inimagináveis.

O maior acerto do primeiro jogo foi seu universo único e a imersão que o mundo bem construído trazia. E fico feliz em dizer que esse segundo título não apenas possui a mesma qualidade que o primeiro nesse aspecto, mas vai ainda além na construção desses mistérios e desconfortos que encontramos durante a jornada. Blasphemous sempre foi e sempre será um jogo com um universo único, tomando, com todo o direito, o título de metroidvania mais visceral e perturbador.

Blasphemous 2

E a dificuldade? Vou arrancar meus poucos cabelinhos de tanto ódio?

Fique tranquilo, jovem de cabeça semi-pelada.

O primeiro jogo foi mais desafiador, mas penso, hoje, que o motivo tenha sido mais falhas na gameplay, que, em horas, se mostrava frustrante. Já nessa continuação, houve um grande cuidado no que se trata do controle do jogador sobre o personagem, o que trouxe mais facilidade em executar tarefas mais simples, como um simples pulo sobre um buraco com espinhos ou uma seção de plataforma.

Dito isso, posso afirmar que a dificuldade nesse jogo é significativamente menor que a do seu antecessor. Há muitas ferramentas à disposição do jogador durante a jornada e dificilmente algum inimigo consegue oferecer um desafio à altura contra o personagem. Claro que há muitas outras formas de aumentar a dificuldade em títulos como esse, mas em questão ao combate em geral, seja contra mobs ou chefes, o título tem uma dificuldade mediana e não deve fazer nenhum jovem esquentado atravessar o monitor com o punho.

Alguns chefes demandam um ajuste e adaptabilidade do jogador, mas algumas tentativas se mostram suficientes para a superação dos desafios impostos pelo inimigo.

Blasphemous 2

Gostei do primeiro. A jogabilidade era satisfatória.

Concordo contigo, caro leitor! A jobaguilidade… jagabiladade? Ah, cê entendeu, vai!

A melhoria na jogabilidade em Blasphemous 2 é notável e extremamente bem-vinda. O primeiro título realmente tinha uma jogabilidade satisfatória, mas esse segundo título eleva o peso durante a luta. A melhoria no “hit-stop”, design de som e efeitos visuais durante o combate proporcionam uma maior sensação de peso durante os acertos nos inimigos. Isso faz com que o combate proporcione uma sensação maior de urgência e risco durante uma luta intensa, além de dar uma satisfação maior quando um inimigo é acertado ou quando um parry é bem-sucedido.

Blasphemous 2

Fala mais, fala mais.

Não! Sou o Penitente Silencioso!

Em Blasphemous 2, é possível utilizar três armas: Ruego Al Alba, uma espada longa; Veredicto, um “martelo” que, na verdade, é um incensário gigante preso a uma corrente; e, por fim, Sarmiento e Centella, um conjunto de duas espadas rápidas.

Além de cada uma dessas armas oferecer um estilo diferente de jogabilidade, elas possuem árvores de habilidades específicas e também oferecem formas de travessia únicas, necessárias para acessar muitas partes do mapa. Inicialmente, o jogador pode escolher uma das três armas para começar sua jornada e, ao explorar o mapa, desbloquear o acesso às outras. Portanto, a arma escolhida no início do jogo influenciará quais tipos de lugares poderão ser explorados no início da jornada.

Além das três armas, o Penitente Silencioso também conta com habilidades especiais retratadas como Versos, um tipo de magia mais simples porém poderosa, e Cânticos, que são magias muito poderosas e possuem uma maior área de efeito. E não para por aí, pois o Penitente também possui as Contas de Rosário, pequenos acessórios que oferecem um pequeno efeito para melhorar a resistência a certo tipo de dano ou aumentar algum atributo. E, para finalizar, há o Retábulo de Benesses, uma pequena coleção de imagens esculpidas em madeira que oferecem melhorias para certo tipo de arma ou situação, reduzem custos de recursos e até transformam um certo tipo de ação.

Com todas essas opções, o Penitente Silencioso possui um grande arsenal para usar em sua jornada. A maioria desses recursos é encontrada pelo mapa todo, o que fortalece ainda mais a exploração completa do cenário disponível. Mas, afinal, estamos falando de um metroidvania, não é mesmo?

Blasphemous 2

Já que falou de mapa. Qual o tamanho?

Ah, deve ser do tamanho de Nova Iguaçu!

O mapa de Blasphemous 2 não é muito extenso, mas sim cansativo. Sim, esta é a parte negativa do jogo. Com a melhoria no combate e nas seções de plataformas, a travessia do mapa ficou muito mais rápida, e é tranquilo prosseguir sem problemas. No entanto, sabemos qual é a marca mais marcante de um Metroidvania, não é mesmo? Sim, portas acessíveis apenas ao obter uma certa habilidade, talvez um pulo duplo aqui, um dash ali. Por mais que isso seja esperado em um título desse tipo, Blasphemous 2 eleva isso a um patamar que chega a ser irritante.

O uso exagerado dessas mecânicas de travessia parece um truque para estender o tempo de jogo e não flui organicamente com o mapa. No total, são sete tipos de mecânicas de travessia, e em algumas salas é necessário o uso de quatro ou cinco dessas mecânicas. Não me entenda mal, não vejo problema em usar essas mecânicas, afinal, isso é esperado pelo subgênero do jogo. O grande problema que isso gera é a falta de identidade do local onde a mecânica será usada. Um exemplo excelente de identidade de local é uma sala em Hollow Knight, onde encontramos um feixe de energia negra bloqueando o progresso. Quando obtemos a habilidade para finalmente passar por ela, o jogador lembra daquela sala específica e sabe que deve voltar lá. No entanto, em Blasphemous 2, é como se o jogador encontrasse a habilidade normalmente, mas já passou por pelo menos dez salas com a mesma mecânica. Qual dessas salas ele vai conseguir lembrar?

Foi comum, em minha jornada, obter uma nova mecânica de travessia e pensar: “Lembro que em uma sala ali eu precisava disso!” Depois de cinco minutos de caminhada até lá e de usar a mecânica, acabo descobrindo que precisaria de mais duas mecânicas que ainda não tinha no arsenal para completar a exploração da sala. Isso se repete tanto durante o jogo que a paciência vai se esgotando pouco a pouco. Não tenho problema com backtracking, mas se a distribuição do uso dessas mecânicas fosse mais orgânica, não seria tão frustrante.

Blasphemous 2

Ah, mas pelo menos o jogo tá bonito, né?

O jogo está lindo, já você… nossa! Dá para entender por que a mãe chorou depois que nasceu.

Os gráficos pixelizados de Blasphemous sempre foram de tirar o chapéu. Grande parte do charme da atmosfera criada no jogo vem da direção de arte, e em Blasphemous 2, isso não é diferente. Uma arte extremamente cativante e cheia de personalidade, juntamente com a atmosfera que o jogo é conhecido por transmitir aos jogadores, são fatores que se tornaram a identidade da franquia.

É muito interessante entrar em uma sala e ver uma criatura que só pode ter saído de uma mente distorcida pelo próprio Milagre, representada de forma atmosférica e sempre com uma ótima qualidade de arte.

Blasphemous 2

Entendo! Então finaliza aí, que tenho que ir orar pelo Milagre.

Nem assim o cabelo vem, amigo. Não adianta!

Blasphemous 2 eleva a essência da franquia e enriquece seu universo distorcido, sombrio e macabro. Os belos gráficos pixelizados, o bom design de som e o ótimo sistema de combate são os carros-chefes da obra. É muito fácil se prender no universo criado pela The Games Kitchen.

O título corrige os erros do primeiro, aprimora os acertos e mais uma vez traz um bom metroidvania com um universo rico e interessante. Mesmo com algumas falhas, o jogo mantém o interesse até sua conclusão e proporciona uma experiência muito agradável.

Infelizmente, a precificação dele no Brasil está ridícula, além de estar em um valor fora da realidade. Quando não está em promoção, o primeiro título é mais caro que o segundo.

Antes de terminar…

Gostaria de dedicar um espaço para agradecimento à distribuidora Team 17, por nos ter enviado uma chave de acesso ao jogo.

Blasphemous 2 estará disponível dia 24 de Setembro e já se encontra em Pré-Venda para PlayStation 5, Xbox Series X/S, Nintendo Switch e PC, plataforma usada nessa resenha.


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