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Esse vai ser sofrido!
Blasphemous é um jogo 2D de ação e plataforma não linear, feito em uma arte pixelizada simplesmente linda, onde você controlará o Penitente Silencioso, um personagem misterioso que aparentemente foi trazido dos mortos pelo Milagre; um evento, ou entidade, que trouxe o caos ao mundo de Cvstodia.
Com essa premissa, Blasphemous explora o sofrimento e a corrupção que o Milagre causou, e o faz de maneira esplêndida e pesada. Ao explorar os cantos de Cvstodia os efeitos do Milagre são bem claros, as paisagens distorcidas dão a impressão que esse evento teve efeitos não só nos habitantes de Cvstodia, mas também em seu ambiente, corrompendo até as entranhas da própria terra e deixando-a doente e infértil.
A sensação geral que tive com a atmosfera do jogo, foi de que eu estava andando pelo inferno e não em uma região que em algum momento foi próspera e cheia de vida, isso só me deixou mais impressionado com a competência dos desenvolvedores. Sofrimento e autoflagelo são duas características chave desse universo e estão por todo lado que o jogador resolva explorar. Isso me fazia pensar: “Nossa, estou sofrendo demais nesse Chefe, mas não estou sofrendo tanto quanto o Juliano, que está com um toco enfiado nas costelas enquanto está pregado em uma cruz e pegando fogo à beira de um abismo”.

Tem histórinha boa?
A história do jogo é entregue de forma não linear e interpretativa que gira em torno do Milagre e seus efeitos nas pessoas de Cvstodia e em seu ambiente. Os pontos mais importantes são apresentados em forma de cutscenes, enquanto também pode-se achar pedaços da história em descrição de itens, conversas com NPC’s e até cadáveres. É estranho ver como um evento que causou tanto caos e corrupção é adorado por tantas pessoas, que sofrem seus efeitos e ainda se mantém cegamente fiéis. Uma ótima reflexão dos criadores sobre religião. Isso deixa tudo bem interessante de ter conhecimento, até que ponto as pessoas chegaram enquanto procuravam o Milagre.
O jogo conta com 2 finais, sendo aqueles famosos “final ruim e final bom” que todos nós conhecemos bem. Sendo o final bom, considerado o verdadeiro, o mais difícil de se alcançar.
Me fala da jagabili… Jobaguila… Jalabigadade?
Aaahh… A jabigaladade?
O Penitente Silencioso empunha a espada Mea Culpa, um objeto sagrado criado pelo Milagre e forjado da culpa do coração de uma mulher. A espada carrega uma grande importância narrativa ao jogo como símbolo do Milagre. Ao progredir o jogador poderá desbloquear várias habilidades de Mea Culpa, que não são grande em variedade, mas são úteis. O Penitente conta com alguns outros auxílios que facilitarão sua jornada. Os Nós de Rosário, Coração de Mea Culpa, Relíquias e Orações contribuirão com ataques especiais e atributos extras para que o jogador possa ter mais resistência, pontos de vida, recuperação de esquiva e até imunidade a certo elemento, que garantirá passagem segura em certos lugares do mapa. Também há os famosos colecionáveis que, cá entre nós, são bem estranhos, afinal são membros ou até órgãos de outra pessoa. A jogabilidade de Blasphemous é bem responsiva e agradável, tanto os ataques da Mea Culpa quanto a esquiva são muito bem ajustados e funcionam bem, ao contrário da sessão de plataforma do jogo na qual o pulo é pouco responsivo e te garantirá algumas mortes, que em certos momentos parecem “injustas”, mas são apenas pela mecânica do jogo ser levemente falha nesse aspecto. Em alguns pontos do mapa a câmera fica travada e o jogador perde a possibilidade de “olhar” para baixo, isso faz com que o jogador tenha que dar um “salto de fé” sem conseguir distinguir onde há buracos com armadilhas de espinho.

Então o jogo é maneirão? Sem bugs nem nada?
Em geral é um ótimo jogo, com potencial para ser excelente, mas que peca em vários aspectos e inclusive com bugs que podem frustrar demais. Um exemplo foi um bug que ocorreu comigo durante a jogatina e fiquei preso em uma porta sem poder me mexer. Quando voltei ao menu do jogo e resumi minha aventura, lá estava o Penitente ainda preso à porta. Na hora pensei que havia perdido meu progresso, mas após alguns dias uma atualização resolveu o problema. Mas quem me dera esse fosse o único bug que encontrei, em alguns momentos (os mais importunos, infelizmente), o item de cura simplesmente não funcionava, o personagem executava a animação, o item era contado como “usado” e os pontos de vida continuavam na mesma, me deixando aberto a ataques enquanto tomava a “poção fantasma” que não recuperava nada do meu HP. Isso sem falar em bugs que aconteciam quando você era atingido na escada e o personagem entrava em um loop das animações de queda e de subir a escada, era hilário ver o Penitente tremendo no ar sem saber se caía ou se subia. Em suma, o jogo contém muitos bugs e alguns deles podem ser extremamente irritantes e até acabar com a jogatina.

Antes de terminar…
Um grande obrigado a desenvolvedora The Game Kitchen e a distribuidora Team17 por disponibilizarem uma cópia para análise. Obrigado e parabéns pela obra, me diverti demais com o jogo.
Blasphemous está atualmente disponível para Playstation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC, plataforma na qual essa análise foi feita.
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