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Grime II é um metroidvania com fortes inspirações em jogos souls-like e com uma pitada de plataforma de precisão. Apesar de ser uma continuação, não é necessário jogar seu antecessor para aproveita-lo, uma vez que o jogo funciona muito bem de forma isolada.
O jogo segue os moldes do primeiro Grime, tanto em gameplay quanto em narrativa. Em Grime II controlamos uma criatura que aparenta ser recém criada e sem qualquer conhecimento a respeito do mundo ao seu redor, conforme exploramos vamos encontrando NPCs que nos orientam e contextualizam a respeito de alguns conceito e lugares. Diferente do primeiro, a continuação, ao meu ver, apresenta um elenco de personagens mais cativantes e memoráveis, junto de um plot um pouco mais fácil de acompanhar.

Mapa e ambientação
Um bom metroidvania precisa de um bom mapa e, felizmente, Grime II acerta muito nesse quesito. As áreas do jogo são facilmente distinguíveis por conta da sua ambientação, que por usa vez são majoritariamente locais visualmente interessantes acompanhados de ótimas trilhas sonoras. Além de contar com belos cenários graças a estética do jogo e direção de arte, o level design também acaba se destacando bastante, tendo várias áreas interconectadas por atalhos e desafios de plataforma que testam de forma justa sua afinidade com as mecânicas de movimentação.
Apesar da variedade de cenários ser algo muito legal e bem aproveitado, sinto que Grime II sofre um problema de escopo. O jogo é desnecessariamente grande e não possui um tracking de progressão, isso faz com que ocorra uma relação de dependência com os marcadores personalizados do mapa, uma vez que é praticamente impossível lembrar quais áreas não foram completamente exploradas. Por outro lado, essa vastidão desnecessária faz você valorizar mais quando progride na história, uma vez que o simples fato de encontrar o caminho certo ou até mesmo dicas de como chegar no seu objetivo se torna verdadeiramente recompensador
Grime II conta com um sistema de “adesivos” no mapa, servindo basicamente como um recurso para registrar itens deixados para trás, desafios não finalizados e áreas que não aparentam estar 100% exploradas. Essa dinâmica de marcação manual obriga o jogador a prestar mais atenção ao seu redor, uma vez que o jogo não vai ativamente te mostrar onde estão as coisas deixadas para trás. Apesar de tornar a exploração mais imersiva, sinto que isso acaba sendo uma faca de dois gumes, principalmente para quem gosta de coletar todos os itens, chegando na reta final do jogo fica inviável deduzir onde pode estar a última peça de um set de armadura, algum inimigo não consumido e afins. Além disso, o jogo continua com aquele sistema de desbloquear o mapa da área após encontrar um ponto de interesse, algo que, apesar de aumentar a tensão ao explorar terrenos novos, torna os primeiros momentos na região bem maçantes.

Combate
Grime II tem um combate brutal e bastante maleável graças a alta variedade de armas que oferecem diferentes estilos de gameplay Uma coisa legal do jogo é que o dano da arma é consequência da distribuição de status do personagem, então a escolha de qual arma usar acaba sendo puramente preferência pessoal, uma vez que todas tem potencial de dano alto. Além das armas, podemos também usar ataques especiais de inimigos que foram derrotados diversas vezes, tal qual os outros equipamentos, o dano dessas habilidades são proporcionais a seus atributos e podem receber também alguns benefícios da árvore de habilidades.
O combate do jogo é mais dinâmico que seu antecessor, mas ainda carrega consigo artefatos problemáticos da fórmula Mesmo que Grime II conte com várias mecânicas de movimentação, golpes exclusivos de armas e afins, na prática as lutas acabam ficando muito parecidas por conta do parry que inviabiliza qualquer outra estratégia, uma vez que ele é quase sempre uma solução universal. Alguns chefes apresentam mecânicas exclusivas que contornam este problema referente ao parry, mas de forma geral o jogo acaba ficando extremamente centrado nisso e não se empenha muito em fazer o jogador engajar com as outras possiblidades no combate.
Seguindo o padrão de seu antecessor, os chefes de Grime II contam com potencial de dano extremamente altos, raramente você vai conseguir aguentar mais que dois ataques sem se curar. A mecânica de parry acaba equilibrando um pouco a dificuldade, tornando golpes fatais do inimigo em oportunidades de alto risco. Além disso, percebe-se uma evolução clara nos chefes num geral quando comparados ao primeiro Grime, mas infelizmente a gameplay fortemente centrada no parry acaba tirando um pouco do brilho deste aspecto.

Conclusão
Grime II é uma continuação digna, entrega várias melhorias e se mantem honesto a sua essência. O combate está mais dinâmico e a exploração do mapa é extremamente divertida, mesmo sendo um mapa gigante, todo cantinho tem algo para esconder, seja um item, atalho, mini-chefe ou até mesmo um desafio de plataforma opcional que vai testar seus limites e afinidade com as mecânicas de movimentação.
Em certos momentos Grime II passa um sentimento forte de déjà vu, uma vez que ele é estruturado de forma muito similar ao primeiro jogo. Contudo, em momento algum senti que o jogo era mais do mesmo, mesmo com alguns deslizes, ele uma evolução clara de seu antecessor e pode facilmente ser tratado como uma jogatina obrigatória para fãs de metroidvania.
Grime II está disponível para Playstation 5, Xbox Series e PC via Steam.
Confira o trailer de Grime II
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